Troponinas de alta sensibilidade e peptídeos natriuréticos no diagnóstico das doenças cardiovasculares: uma revisão narrativa
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Resumo
As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no mundo e no Brasil, e os biomarcadores laboratoriais são parte central da sua investigação. Este trabalho teve como objetivo analisar as aplicações diagnósticas e prognósticas e as limitações dos principais biomarcadores cardiovasculares, com ênfase nas troponinas cardíacas de alta sensibilidade e nos peptídeos natriuréticos. Trata-se de uma revisão narrativa baseada em diretrizes clínicas, documentos de consenso, revisões e estudos das bases PubMed/MEDLINE e BVS, publicados principalmente entre 2021 e 2025. A troponina de alta sensibilidade é o marcador de escolha para a lesão miocárdica e permite descartar ou confirmar o infarto sem supradesnivelamento do segmento ST com coletas na chegada e após uma ou duas horas, embora também se eleve em condições não coronarianas. O peptídeo natriurético tipo B (BNP) e o fragmento N-terminal do seu precursor (NT-proBNP) são mais úteis para afastar a insuficiência cardíaca, com pontos de corte diferentes para o ambulatório e para a emergência, e sofrem influência da idade, da função renal, da obesidade e de medicamentos. Marcadores inflamatórios e de fibrose, como a proteína C-reativa de alta sensibilidade, o ST2 solúvel e a galectina-3, ainda não têm papel diagnóstico definido. Interferências analíticas, como hemólise, biotina, anticorpos heterófilos e macrotroponina, e a baixa estabilidade do BNP na amostra podem alterar os resultados. Conclui-se que cada biomarcador deve ser solicitado a partir da hipótese clínica e interpretado junto com a história, o eletrocardiograma e os exames de imagem, cabendo ao biomédico garantir a qualidade da amostra e informar no laudo o método e os limites de referência.
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